O impacto das Fake News no cotidiano

O presidente-executivo do Facebook Mark Zuckerberg foi chamado para depor no dia 10 de abril de 2018 a respeito do vazamento de informações de 87 milhões de usuários para a Cambridge Analytica. A empresa, que foi a responsável pela campanha pró Donald Trump, foi acusada de usar estes dados para produzir fake news, o que nos leva a uma reflexão: as notícias falsas possuem impacto suficiente para mudar os rumos até de uma eleição?

Informações falsas, muitas vezes sensacionalistas, disseminadas sob o disfarce de reportagens. Essa é a definição do dicionário britânico Collins para Fake News, eleita palavra do ano em 2017. Com um aumento de 365% nas buscas na internet, o termo começou a aparecer com mais força após as eleições presidenciais norte-americanas de 2016, em que o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa veículos de comunicações oficiais como a CNN e o New York Times de falar sobre a sua gestão de forma tendenciosa.

 

 

Porém, segundo o historiador cultural e professor emérito de Harvard, Robert Darnton, as notícias falsas existem desde o século VI! Em entrevista para a Folha de São Paulo, cita o exemplo de Pietro Aretino, jornalista do século XVI, que ao começar a escrever poemas cômicos sobre um cardeal que era candidato a virar papa, passou a chantagear figuras públicas de Roma para que o pagassem para não publicar nada na estátua de Pasquino, onde costumava deixar os escritos. Os poemas foram chamados de “pasquinadas”. O “pasquinate”, como é falado na língua italiana, é usado até hoje em frases anônimas que ridicularizam o poder.

 

 

Leia também: Folha de S. Paulo abandona conta no Facebook

 

Não temos muito mais estátuas espalhadas, mas as notícias e fatos distorcidos ou totalmente falsos são espalhados pelo Facebook, Twitter e Whatsapp.  O Estado de São Paulo, em uma matéria de setembro de 2017, mostra uma realidade preocupante: as notícias falsas sobre política circulam mais do que as verdadeiras. O grupo de pesquisa em Políticas Públicas para o acesso a informação na USP considera que, se um usuário tem no mínimo 200 seguidores, essas notícias estão sendo disseminadas para praticamente toda a população brasileira. São 12 milhões de pessoas compartilhando, segundo esse levantamento feito a partir do monitoramento de 500 sites no mês de Junho. Nesse mesmo estudo, foi escolhida uma notícia falsa para ser fiscalizada. O número de impressões ultrapassou 380,47% em relação a notícia verdadeira sobre o mesmo fato.

Mas não é só sobre política! A jornalista, comentarista e palestrante sobre questões relacionadas ao impacto das mídias sociais na qualidade e disseminação de informações Claire Wandle, explica que existem sete tipos de notícias falsas:

 

  1. Sátira ou paródia: Nasce com intuito cômico, sem nenhuma intenção de causar impacto negativo.
  2. Falsa conexão: Quando a manchete não condiz com o texto, legendas das imagens não contam o que realmente aconteceu.
  3. Conteúdo enganoso: difamação ou uso de uma informação para ir contra o assunto abordado ou pessoa.
  4. Falso contexto: o conteúdo é verdadeiro, mas é compartilhado com o contexto errado.
  5. Conteúdo impostor: quando falas de entidades citadas na reportagem não condizem com o que realmente foi dito.
  6. Conteúdo manipulado: quando as informações são verdadeiras, mas é estruturada de forma para com que o público se engane.
  7. Conteúdo fabricado: é gerado com intuito de enganar o público e fazer algum mal. É feito do zero e todas as informações são construídas sem ter nenhuma ligação com a verdade.

O contexto das Fake News é complexo, pois cada tipo pode servir para diferentes ações do cotidiano. Uma propaganda, por exemplo, utiliza de conteúdo fabricado, às vezes manipulado e falso para gerar venda, enquanto o jornalismo malfeito faz uso de falsa conexão e falso contexto. Por isso é comum disseminar e acreditar em algum conteúdo produzido de forma ilusória. O Politize! elaborou uma tabela com os possíveis usos, podendo ser conferida abaixo.

 

 

Como dissemos no início deste texto, Mark Zuckerberg foi acusado de vazar informações de 87 milhões de usuários para a Cambridge Analytica. Ele mesmo sentiu, por meio de sua rede social, o impacto das Fake News. Mas onde é que entram as matérias nessa história?

A Cambridge Analytica é um desmembramento da “SCL Group” criada em 2013 para analisar grande bancos de dados, fazendo uso de comunicação estratégica para aplicar em campanhas políticas. Ficou famosa por trabalhar para a campanha pró-Brexit e pró-Trump.

 

 

O New York Times publicou, no dia 17/03, uma matéria alegando um esquema de compra de dados entre o Facebook e essa empresa, onde por meio de links informais persuadiram mais de 50 milhões de usuários a votar em Donald Trump. As informações vazaram pelo ex-funcionário Christopher Wylie. Os links informais eram notícias falsas, que ao serem disseminadas no facebook para as pessoas corretas, se espalharam com facilidade. A eleição americana sofreu um grande impacto da rede social.

 

 

Como identificar uma Fake News?

Ainda não foram inventados softwares que combatem esse tipo de notícia. Mas a Atelier listou algumas dicas que podem ajudar a não ser vítima:

1 – Cheque as fontes: Em matérias traduzidas, a fonte original deve estar listada. Se ela não estiver ou na fonte original há erros de interpretação, fique atento!

2 – Cuidado com o sensacionalismo: Matérias que engrandecem fatos ou fazem uso de muitos advérbios de intensidade também pode ser um sinal de manipulação de informações.

3 – Leia a matéria, não apenas a chamada: Segundo a revista Forbes, 59% dos links compartilhados nas redes sociais não foram lidos! Portanto, leia a matéria inteira, não compartilhe apenas pela chamada.

4 – Procure a notícia no Google: Abaixo da barra de pesquisa do Google, há uma ferramenta chamada notícias. Digite a chamada e veja se aparece outros veículos famosos com a mesma chamada ou o mesmo contexto.

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